O turismo de massa tem se consolidado como um dos principais motores da economia baiana, especialmente em destinos consagrados como Imbassaí, Praia do Forte e Morro de São Paulo. Essas localidades, conhecidas por suas belezas naturais e pela hospitalidade de suas comunidades, atraem milhares de visitantes todos os anos. No entanto, a intensidade desse fluxo turístico vem gerando impactos ambientais, sociais e econômicos que precisam ser debatidos e enfrentados de forma responsável.
Um dos efeitos mais visíveis do turismo de massa é a pressão sobre os ecossistemas locais. O crescimento acelerado de pousadas, hotéis e restaurantes em áreas próximas a manguezais, dunas e recifes de corais compromete a biodiversidade e ameaça espécies nativas. Em Imbassaí, por exemplo, a construção desordenada próxima ao rio que deságua no mar afeta o equilíbrio natural e a qualidade da água. Já em Morro de São Paulo, o aumento da circulação de embarcações coloca em risco áreas sensíveis do litoral e intensifica a erosão costeira.
Além do meio ambiente, a vida cotidiana das comunidades locais também sofre alterações significativas. A chegada constante de turistas provoca mudanças culturais, pressiona os preços de moradia e serviços e, muitas vezes, cria uma dependência econômica perigosa de um setor vulnerável a crises globais, como ficou evidente durante a pandemia da Covid-19. Em Praia do Forte, embora o turismo tenha fomentado empregos e oportunidades, também aumentou a desigualdade no acesso a espaços e recursos, impactando moradores que convivem diariamente com a inflação gerada pela alta demanda turística.
Outro desafio está na gestão do lixo e do saneamento básico. O volume de resíduos cresce em ritmo acelerado durante as temporadas de alta estação, e muitas localidades ainda não contam com infraestrutura adequada para lidar com esse aumento. A poluição das praias e do mar não apenas prejudica o turismo em longo prazo, mas ameaça a saúde pública e o bem-estar dos moradores.
Por outro lado, não se pode negar que o turismo também trouxe benefícios importantes, como a melhoria da infraestrutura, a valorização cultural e a divulgação internacional da Bahia. O equilíbrio, porém, está em promover um turismo sustentável, que respeite os limites da natureza e valorize as comunidades locais. Iniciativas de ecoturismo, projetos de preservação ambiental e políticas públicas de controle de expansão imobiliária são caminhos fundamentais para que o setor continue crescendo sem destruir o patrimônio natural que sustenta sua própria existência.
Em síntese, Imbassaí, Praia do Forte e Morro de São Paulo vivem um dilema entre prosperidade e preservação. O desafio está em garantir que as futuras gerações possam desfrutar da mesma beleza e riqueza cultural que hoje encantam turistas do mundo inteiro.